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By Zungueiro do Seculo XXI
No dia 12 de Setembro de 2026, algo inédito aconteceu em Luanda. LeBron James pisou em África pela primeira vez e não veio sozinho. A comoção local foi total. O Ministro do Turismo, Márcio Daniel, posicionou-se estrategicamente como seu anfitrião e construiu uma agenda que incluía um encontro com o Presidente João Lourenço no Palácio Presidencial. Para os planos ambiciosos do Governo angolano, que já tinha as lições bem estudadas para se mostrar ao mundo, tudo parecia seguir com sucesso. Mas a história que a maioria dos noticiários contou é apenas a superfície. A oportunidade que a media não mostrou foi o confronto de um ícone global com a sua própria origem.
LeBron James não é só o “Rei” da NBA. É um homem de negócios bilionário, o primeiro jogador da NBA em atividade a atingir esse estatuto, com um património líquido estimado em 1,2 mil milhões de dólares. O seu império inclui um contrato vitalício com a Nike avaliado em mais de mil milhões de dólares e participações na Fenway Sports Group, que controla o Liverpool FC e os Boston Red Sox.
Ele não veio desprevenido. Trouxe consigo os homens responsáveis pelo seu sucesso financeiro, incluindo o seu parceiro de negócios de longa data, Maverick Carter, co-fundador da LRMR Ventures e da SpringHill Company, e o seu amigo de infância e gestor de negócios, Randy Mims. A comitiva de James não estava ali para turismo; estava preparada para vencer e fechar novas parcerias ao mais alto nível.
O detalhe que a maioria ignorou: antes do glamour da competição de barcos elétricos E1, James teve um pequeno-almoço executivo fechado com o Ministro do Turismo, Márcio Daniel, no restaurante Shogun, em Luanda. Na sala, a nata do empresariado angolano. Estiveram presentes nomes como Agostinho Kapaia (Grupo OPAIA), Nelson Carrinho (Grupo Carrinho) e Diogo Caldas (Refriango), entre outras figuras de peso da economia nacional. Foi um momento de diplomacia económica pura, onde Angola mostrou a sua força e prestígio, e James mostrou que o seu business acumen não tem fronteiras.
Segundo o incrível Dr M’zée Fula NGENGE que escreveu no seu artigo para o https://panafricanvisions.com/2026/09/the-king-in-the-motherland-what-lebrons-first-day-in-angola-reveals-about-the-africa-the-world-refuses-to-see/
Quero deixar claro um ponto que as agências de notícias provavelmente descreverão apenas como uma “oportunidade de networking”. O café da manhã executivo no restaurante SHOGUN não foi uma mera sessão de fotos. Tratou-se de uma aula magistral de diplomacia econômica, conduzida com a precisão de uma nação que aprendeu, muitas vezes de forma dolorosa… que visibilidade sem estratégia não passa de entretenimento.
E, entre eles, estava o meu camarada LeBron James, não como uma curiosidade, nem como um convidado famoso, mas como um igual. Os presentes compreendiam algo que a mídia internacional muitas vezes não percebe: LeBron James não é apenas um jogador de basquete que domina o esporte. Ele é um império empresarial, um conglomerado de mídia, um filantropo cuja “I PROMISE School” tornou-se um modelo de intervenção educacional em comunidades carentes. Ele é, precisamente, o tipo de parceiro que uma nação que constrói o seu futuro desejaria ter.
As reportagens convencionais dirão que LeBron experimentou iguarias locais. O que essas reportagens não dirão é que ele estava provando o futuro de um país que, de forma metódica, vem se reposicionando na intersecção entre tecnologia, sustentabilidade e fluxos globais de capital.
A agenda oficial cumpriu-se, mas o ponto alto da visita e o que a media mainstream deixou passar foi o impacto emocional avassalador. LeBron James e a sua equipa visitaram o Museu Nacional da Escravatura, em Luanda, um dos principais pontos de partida da rota transatlântica de escravos.
A história dura e de grande sofrimento de Angola foi algo para o qual James não estava preparado. LeBron James estava no lugar exato onde muitos negros guerreiros, de sangue nobre, morreram de fome, doenças ou maus tratos. Dos que seguiram, muitos faleceram durante a jornada transatlântica; só os mais fortes sobreviveram até chegarem aos Estados Unidos da América. O momento em que ouviu as explicações sobre o flagelo e o sofrimento dos seus antepassados foi marcado por profundo silêncio e visível comoção. LeBron James chorou. “Há muita história aqui. Muita história que não está só neste país, mas que atravessa para a América”, disse ele, visivelmente tocado.
O museu, instalado na antiga propriedade de um dos maiores traficantes de escravos do século XVIII, foi um local onde pessoas escravizadas eram forçadas a ser batizadas antes de serem enviadas através do Atlântico. Entre os séculos XVI e XIX, aproximadamente 4 milhões de angolanos foram escravizados nas Américas. Em 1619, os primeiros africanos escravizados nos Estados Unidos foram transportados de Angola para Hampton, na Virgínia.
Eles eram grandes e fortes. E o mais importante: não eram escravos, foram escravizados. Eram filhos da aristocracia local. Onde chegaram, o seu talento natural fazia a diferença. Eles organizavam as fazendas, treinavam os outros negros e enriqueciam os campos secos com o verde dos milhos. Eles foram os homens e mulheres por trás do desenvolvimento agrícola do continente americano, desde a produção de açúcar ao algodão. Eles não eram somente os músculos; eles eram a tecnologia da sua era.
Assim como eles, LeBron James, Maverick Carter e Randy Mims são as lendas dos seus reinos hoje. Aqueles negros eram a realeza, a inteligência e a força que construiu nações.
Imagine, caro leitor, o que aconteceu quando os historiadores falaram à comitiva sobre a Rainha Njinga Mbandi: cuja história está a ser produzida para o cinema pela ex-esposa de Will Smith, Jada Pinkett Smith, sobre o Rei Ekuikui, o soberano do Bailundo, e sobre o Rei Mandume ya Ndemufayo, que derrotou várias vezes o exército português com uma cavalaria de homens negros que usavam armas modernas? Eles ficaram atónitos, sensíveis.
Entenda: os negros norte-americanos, pelo menos o pessoal do LeBron James, não conheciam África. E Luanda é um lugar onde o negro é poderoso, é o médico respeitado, é o comandante de avião, é o dono de petrolíferas. Isso sem falar nos carros caríssimos dos luandenses! Imagina como tudo isso mexeu com eles. O choque foi duplo: descobriram a dor da escravatura, mas descobriram também a grandeza dos reinos que os pariram. O confronto com uma realidade cultural tão forte desmontou a narrativa de miséria que a media ocidental insiste em vender.
Quando eles saíram do museu, a realidade nua e crua de Luanda bateu-lhes na cara. Viram o lixo, a desorganização e os problemas estruturais da capital. Mesmo com os motoristas previamente orientados, como é de costume para os estrangeiros, para que só vejam o que está bom, mas estes senhores são pessoas que estudaram, são cultas e percebem das coisas. Eles têm quem os informe e provavelmente a sua própria equipa avançada chegou a Angola um mês antes. Logo, provavelmente, aquelas mazelas não eram novidades para eles. Eles sabiam que estavam a ser conduzidos por uma vitrine.
Mas o que foi terrivelmente acústico: no sentido mais profundo da palavra! foi ver o tsunami de alegria na cara do povo. A alegria nas praias de Luanda. Um povo que sofreu com a escravatura horrível, que sofreu grandes e graves humilhações com a colonização portuguesa, que suportou uma das guerras mais longas do mundo e que ainda sofre nas mãos do atual governo. Sim, esse mesmo povo, com um sorriso contagiante, estava ali para celebrar LeBron James e os seus.
Aquela alegria não era fingida; era a essência de um povo que, apesar de tudo, escolheu não perder a esperança. Foi isso que chamou a atenção da comitiva. Não a pobreza que a media gosta de mostrar, nem o lixo que os motoristas tentaram esconder, mas a riqueza de uma cultura que sobreviveu ao tráfico, à guerra, ao silêncio e à má governação. O sentido de orientação, o lado humano de ser o outro do outro, a dignidade de quem não se deixa. Eles foram confrontados com a verdadeira riqueza de Angola: o seu povo.
O parente mais pobre dos governos africanos tem sido a cultura. A história original, escondida, aquela que não enaltece o negro e que tantas vezes o empurrou para a posição de subalterno. Mas LeBron James e os seus não vieram apenas ver Luanda. Foram confrontados com a força dos reinos do Congo, do Ndongo e da Matamba.
Angola foi colonizada, conquistada e o seu povo vendido para o mundo inteiro. Mas o que LeBron e a sua equipa encontraram em Luanda foi outra coisa: um povo que aprendeu a lutar e a vencer, mesmo quando tudo estava contra. Foi isso que os fez perceber que não foi coincidência aquela visita. Os fez analisar a sua própria existência, de onde vinha aquela força negra e brilhantismo.
E é aqui que a oportunidade que a media não mostrou se torna incómoda para muitos governos: enquanto a cultura continuar a ser tratada como parente pobre, Angola continuará a mostrar ao mundo apenas os barcos, os banquetes e as agendas. Mas quando o país tiver a coragem de contar a sua história original; a dos reinos, da resistência, da diáspora e do povo que nunca se rendeu! então sim, estará a mostrar ao mundo a sua verdadeira força.
Cuidado com os “quase”! “Quase” pronto, “quase” lá, “quase” perfeito… O “quase” é o cemitério dos sonhos dos descontentes. Nós não pedimos permissão para existir no nível mais alto das nossas ambições; nós conquistamos o direito de estar no pódio onde as grandes coisas acontecem, mas para isso temos de suar a camisa antes do amanhecer!
A miséria e a falta de oportunidades podem gritar nas ruas de Luanda, mas a nossa resposta não será o lamento. A nossa resposta é o trabalho estratégico, a apropriação das nossas narrativas e a criação de riqueza real através do conhecimento. Inspirados pela determinação inabalável de Nelson Mandela e pela inteligência de negócios de Maverick Carter, vamos continuar a erguer o primeiro tijolo do nosso projeto de vida.
A nossa mente é o campo de batalha definitivo. Se escolhermos a disciplina mental, se rejeitarmos a derrota interna e se usarmos o poder do storytelling digital para estruturar a nossa economia informal, não haverá gigante que não possamos derrubar. Vamos juntos, passo a passo, transformar a banga e a ginga do povo angolano no maior império económico e cultural que esta África subsaariana já viu! Força & Coragem para Lutar… Bwé!!! Fé… Bwé! Desistir é morrer!